Chuva de meteoros e eclipse solar poderão ser vistos na região de Campinas neste domingo e segunda

Uma “supernoite astronômica”. É assim que o astrônomo Julio Lobo define este domingo (13), quando uma chuva de meteoros e a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) poderão ser vistas no céu da região de Campinas (SP). Além disso, na tarde de segunda-feira (14), ocorrerá um eclipse solar parcial.

Em razão da pandemia da Covid-19, o Observatório Municipal “Jean Nicolini” não realizará nenhum evento de observação dos fenômenos astronômicos e da ISS. Por isso, em entrevista ao G1, Lobo apresentou orientações de como localizar os meteoros e a estação espacial no céu, além de dicas para otimizar a visibilidade. ISS e chuva de meteoros

Logo após o pôr do sol deste domingo, o observador já conseguirá avistar uma conjunção de Júpiter e Saturno no céu, que ocorre quando dois planetas ficam a 1 grau de distância um do outro. Esta não é a superconjunção - quando o distanciamento é de 0,1 grau -, que ocorrerá apenas no dia 21 de dezembro. Veja informações abaixo.

Localizar Júpiter e Saturno é importante pois, de acordo com Lobo, entre 20h09 e 20h10 de domingo, a ISS poderá ser vista a olho nu, passando por cima dos planetas. A estação é um laboratório espacial cuja montagem em órbita começou no ano de 1998 e terminou, oficialmente, em 8 de julho de 2011, com o lançamento do ônibus espacial “Atlantis” na missão STS-135.

Após a conjunção e o avistamento do satélite, entre 23h30 e o amanhecer do dia, a orientação de Lobo é para que o observador olhe para o céu na direção Leste e encontre a constelação “Três Marias”. Um palmo para baixo dela, estarão duas estrelas, que formam a Constelação de Gêmeos. É nesta localização que ocorrerá a chuva de meteoros.

“Quem estiver na cidade, acredito eu que, entre 23h30 até 4h, vai conseguir ver entre 10 e 40 meteoros. Mas isso não é por hora, é no período todo”, explica o astrônomo. A visualização de 100 a 150 meteoros por hora, segundo ele, só é possível no Hemisfério Norte, já que no Sul, a constelação fica muito alta e, assim, não visível.


Questionado sobre o formato dos meteoros no céu, Lobo explica que ele varia de acordo com a composição química de cada um. Com essa variação, eles podem ser vistos em cores como o branco, amarelo, verde, vermelho, laranja e verde azulado.

O astrônomo também explica que a visibilidade do observador será favorecida se o céu estiver com poucas nuvens na região de Campinas. Além disso, o visualizador precisará estar em um bairro afastado do Centro – local onde a observação não é possível devido à quantidade de luzes e poluentes. O fenômeno também poderá ser mais facilmente avistado por quem estiver em uma casa com pouca iluminação. Do contrário, Lobo alerta que será possível ver “um meteoro ou outro”. Eclipse parcial do sol

Já na tarde de segunda, ocorre o eclipse parcial do sol. O fenômeno terá início às 12h45, chegará ao auge às 14h03 e terminará por volta de 15h. No mesmo dia, por volta de 19h22, a ISS estará novamente visível no céu com um brilho de intensidade quase igual ao do planeta Vênus, segundo o astrônomo.

“Lembrando que não se usa instrumento para ver eclipse. Pode causar cegueira. Não pode usar chapa de raio-X, que muita gente usa, nem óculos modelo Ray-Ban. O mais indicado é um filtro de soldador número 14. Custa uns R$ 5 ou R$ 10”, alerta Lobo.

Superconjunção de Júpiter e Saturno

Este fenômeno alcançará seu auge no dia 21 de dezembro, logo após o anoitecer na direção Oeste. “O que as pessoas podem esperar? A superconjunção de Júpiter e Saturno. Os planetas já estão se aproximando há dias, mas neste momento, a aproximação alcançará seu auge”, diz Lobo.


O astrônomo alerta que o fenômeno não durará muito tempo no céu – deve ocorrer entre 19h30 e 20h10 e, assim como os citados anteriormente, poderá ser visto a olho nu. “Binóculos 7x50, 10x50, e pequenos telescópios, com lente de abertura de até 130 milímetros, podem ajudar”, esclarece. O que torna o fenômeno raro?

Para explicar a raridade da superconjunção, Lobo cita que, enquanto a Terra leva 365 dias e seis horas para dar uma volta em torno do Sol, Júpiter leva 11 anos e Saturno, 29. É essa diferença de tempo de movimento em torno da abóbada celeste que torna a aproximação em 0,1 grau rara.

"A conjunção de 1 grau ou mais acontece a cada 20 anos. As próximas ocorrerão em 2 de novembro de 2040 e 7 de abril de 2060. Mas uma superconjunção como essa de 0,1, se você pegar o período entre os anos de 1600 a 2599, só vão acontecer seis. As próximas que nós vamos ter serão em 2080, 2417 e 2477”, diz Lobo.

Estrela de Belém?

Nos últimos dias, tem sido frequente a associação da superconjunção do dia 21 de dezembro com a chamada "Estrela de Belém" que consta nos relatos bíblicos. Para Lobo, porém, os fenômenos astronômicos não são os mesmos.

A explicação, segundo o astrônomo, está no contexto histórico e na falta de evidências astronômicas. Considerando a narrativa de que os três Reis Magos viajavam em camelos - um meio de transporte lento - e avistaram a luz brilhante por vários dias, a possibilidade de ser uma superconjunção fica enfraquecida.

"Até hoje, a astronomia não sabe o que foi a Estrela de Belém: tem teorias de conjunção de Júpiter e Saturno, supernova que explodiu no céu, cometa. A Estrela de Belém deve ter ficado muito tempo no céu, enquanto a superconjunção dura um dia só. Então, provavelmente, o fenômeno do relato bíblico não é o mesmo que veremos no dia 21", diz. Fonte: G1

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